Sara Lana

Orelhinha

Mergulhe









A proposta

Orelhinha é uma peça sonora criada a partir de chamadas realizadas para orelhões à beira dos rios São Francisco e Jequitinhonha.

Uma série de chamadas para destinatários até então desconhecidos ou até mesmo inexistentes. Linhas cruzadas na tentativa de escutar um pouco a vida que se passa ao redor e os contrastantes cenários que contornam um mesmo rio.

Enquanto correm risco de extinção em boa parte do estado, os orelhões ainda são o único meio de comunicação em povoados ribeirinhos que não têm cobertura de telefonia móvel.

Os telefones foram encontrados viajando pela margem desses rios utilizando mapas com visualização panorâmica de espaços públicos e com imagens de satélite. O número de cada orelhão foi resgatado cruzando suas coordenadas geográficas identificadas no trajeto com informações coletadas no banco de dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

Ficha técnica
Com

Vitor, Sueli, Manuel, João, Elias, Ricardo, Valdir, Adenides, Adel, Uelma, Marcos, Gabriel, Neurisvânia, João, Enrico, Débora, Gianetti, Fernando, Juarez, Luciana, Karine, Zé Nilson, João Victor e todos outros que atenderam os orelhões nas escolas rurais e hospitais municipais.

Fotos Orelhões BH

Clarice Rodrigues

Tratamento tilesets do mapa

Tiago Esteves

 

Agradeço também pela escuta – Félix Blume, Clarice G. Lacerda, Bernardo Esteves, Elisa Lana, Fellipe Miranda, Luísa Ritter e Mônica Meyer.

Artista

Sara Lana é uma artista e desenvolvedora brasileira de 33 anos. Nascida em Belo Horizonte, estudou matemática e engenharia elétrica na Universidade Federal de Minas Gerais. Seus projetos se situam na confluência da arte com a tecnologia. Recorrem a suportes variados, valendo-se principalmente do som, da eletrônica e do vídeo, tendo a ilustração presente em todo o processo de criação.

Sua obra busca promover a desalienação tecnológica ao chamar a atenção para o nosso alheamento à onipresença das máquinas digitais na sociedade contemporânea. Seu trabalho propõe ainda uma reflexão sobre o papel dos animais que dividem o espaço com os humanos, e estimula a busca de relações mais equilibradas com eles no contexto tecnológico atual.

Sara é diretora executiva da Silo – Arte e Latitude Rural, uma organização da sociedade civil que cria, acolhe e difunde arte, ciência, tecnologia e agroecologia em zonas rurais e de preservação ambiental, estimulando o cruzamento entre técnicas intuitivas e saberes científicos.