Paulo
Nazareth

Olho d’água

Mergulhe
A proposta

um resto de mata no alto do Morro do Palmital y outro na baixada — sinalizo os olhos d’água que ainda restam com placas verdes y ocre preparo o caminho com pedras y placas de [PODER PÚBLICO]  mudas frutíferas do cerrado y mata atlântica são replantadas y espalhadas pelo território de Luzia, damos preferências as mais antigas y pouco domesticadas mas sem nos esquecermos das frutas de mercado que nos servem quase maquiagem, um bunito de supermarket. – bancos de prazsa se espalham ahi como escusa de urbanismo y modernidade, a fim de garantir a permanência do nativo visto como exotico.

Ficha técnica
vídeo e  fotografias

Paulo Nazareth – arte contemporânea / ltda

produção e assistência

júlio Nazareth e Anna Ycaro

Assistência técnica

Adão de Souza

Artista

sou Paulo da Silva, homem velho nascido em Borun Nak [território indígena do Vale do Rio Doce] Minas Gerais, me confundo no tempo estendendo  meu nascer aos primórdios da mata atlântica._ Vivo deslocando me sobre terra y água, nadei desajeitado y bebi do Figueirinha y outros afluentes do Watu [Rio Doce]. Cresci em torno de alguns brotos que desaguam no Rio das Velhas y de um olho no Alto do Palmital caminhei ao seu encontro com São Francisco. – y do Alto da nascente margei o rio ao seu desemboque no Atlântico. – Filho de Ana Gonçalves da Silva filha de Nazareth Cassiano de Jesus, mulher borun presa política na Colônia de Barbacena a partir do ano de 1944, Eu, pequeno, paulatino teimo em esquecer o ano em que nasci a fazer-me velho como pedra de fundo de rio seco. há muito tempo ando tropeçando em pedras de ponta em dias que a poeira enche o ar y outras vezes me escorrego em charcos d’agua depois da chuva.

vendi, quando pequeno, borra de ferro y outros metais frutos do rejeito mineral da Companhia Vale do Rio Doce y associadas. –vendi abacate, limaN’o , corante urucun, feijaN’o preto y outros frutos que cresceram a essas margens y bacias. comi passarinhos que sobrevoaram o rio grande y a mata que se estende mesmo adormecida ateh o outro lado da montanha.– comi o peixe y nadei nas águas represadas de olhos d’agua que  seguem desde  Curvelo ainda mesmo que secos ao que se faz jequitinhonha, isso às escondidas por trabalhar ainda na feitura das benfeitorias do doutor herdeiro do coronéis que se apropriaram com o papel grilhado das terras ancestrais do Borun Nak y parentes. — andei por Asia, America y Africa, mostrei artezania, palavras, sonhos y pensamentos.